segunda-feira, 6 de junho de 2016

O RATO DO CONVENTO


 
 

 No Centenário convento de Belém, habitou um gordo rato, na cozinha.  Especificamente, no fogão doméstico.

 O roedor logo adaptou-se a escalar as marmóreas escadas e percorrer as penumbras dos claustros Capuchinhos, nos horários de maior silêncio.

 Nos momentos nos quais os frades estavam mais recolhidos, por força das suas funções cultuais, laborais ou estudantes. No absoluto silêncio monástico, sempre em tempos pontuais, o rato saia a realizar sua jornada; não cessava de atacar a despensa, roubando porções dos cereais, que se tornavam infectos.

 Tais vestígios, do pequeno ladrão, incomodavam e traziam despesas aos barbudos franciscanos. Desse modo, os frades decidiram se livrar do malquisto inquilino.

 Numa madrugada de quinta-feira, às 5:00 da manhã, quando Frei Michel se desdobrava na cozinha, preparando o café da manhã aos irmãos; exatamente, no momento em que punha o pó do café na borbulhante água do bule; foi, praticamente, atropelado pelo rato, que ao se deparar com aquele ser humano em hora tão inusitada, assustou-se e se precipitou para o interior do fogão. Naquela manhã, os religiosos não foram despertados pelo tradicional toque do campanário, porém pelos gritos assustados de Frei Michel, que de tão branco de susto, pareceu beirar a um ataque cardíaco.

 Frei Michel, recomposto, explicou o fato aos correligionários. Ao menos o roedor denunciou o seu esconderijo.

 Frei Pou organizou vários momentos para encurralar e eliminar o animal; sempre armando emboscadas para o pequeno mamífero com ajuda dos camaradas, Freis Henry, Renault e Pavlov.  Muitas vezes tentaram, outrossim o gordo roedor sempre lhes burlava o esquema, fugindo por entre seus pés, não obstante batessem na parede do forno, ou roubando-lhes as iscas das inúmeras ratoeiras que sempre amanheciam sem efeito.

 Os frades tentaram muitas vezes, mas nunca conseguiram, seja por força dos seus impreteríveis horários, ou mesmo pelo influxo da piedade franciscana para com a natureza criada.

 Fato é, que após três anos nessas tentativas malogradas, em certa manhã de quaresma, os frades se depararam com cadáver do roedor já ostentando pelos grisalhos.

O gordo rato, de nutrido que era, findou por morrer de velho; e a paz retornou à cozinha do convento.
Frei Jonas Silva

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