sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

DA MEMÓRIA À ESPERANÇA









Presentificar a história lança a pessoa humana na esperança. Pressuposto que a esperança já é uma antecipação do futuro, o ser humano é autêntico quando consciente de si e de suas possibilidades, e fazer memória é trazer à luz, no presente, a interpretação sobre o fato pretérito. Para tanto, embasamo-nos nos pensadores: Aurélio Agostinho, Martin Heidegger e Karol Wojtyla.
Na esteira de Agostinho, quando este dá relevância à questão do tempo nas suas Confissões, verificamos que não há o tempo futuro, no entanto, existe o presente do futuro que é a esperança. De fato, é somente na esperança que o ser humano se lança presencialmente no futuro, o qual é sempre obscuro, porque advêm ao presente.
Elucida-se, no pensamento de Heidegger, a autenticidade do dasein - para nós: ser humano presente existencialmente numa situação cultural-temporal, dá-se quando este é consciente de si, como um ser temporal e de possibilidades. Para ser pessoa humana autêntica faz-se necessário o estar consciente de si, de seu ser que se manifesta nos seus atos pessoais, tendo presente o pensamento, conforme Wojtyla, que “são os atos da pessoa que mostram o ser humano”. Ser autêntico é atuar em cada momento presente, com consciência de sua personalidade humana, na liberdade.
Ressaltando a tradição judaica, fazer memória, consiste em fazer presente um fato ou personalidade importante do pretérito e, para Agostinho, há o presente do pretérito como recordação, ao invés do pretérito em si, dado que este já passou. Nesse sentido, fazer memória é lançar luz, ou mesmo glorificar, uma interpretação sobre uma personalidade ou um acontecimento, compreendido num presente que não mais está sendo.
Então, a pessoa humana que elucida sua história, projeta-se autenticamente na esperança, dado que, ao elucidar sua história, trá-la novamente como presença; se consciente de si, atua autenticamente enquanto pessoa humana e lança-se na esperança que é possibilidade de seu futuro. Dessa maneira, sempre que a pessoa humana traz à luz sua memória histórica, essa se lança verdadeiramente, na esperança, para o seu futuro adventício.
                                                                  
REFERÊNCIAS
REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da Filosofia: do Romantismo até nossos dias. v.3. 8.ed. são Paulo: Paulus, 2007.
SANTO AGOSTINHO. Confissões. São Paulo: Nova Cultural, 1996. (Col. Os Pensadores).
WOJYYLA, Karol. Persona y acción. Madrid: Palabra, 2011.

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