terça-feira, 27 de novembro de 2012

O FENÔMENO DO CORPO HUMANO NA ÉTICA DO AMOR DE KAROL WOJTYŁA (Parte 4)



3 A PROBLEMÁTICA DO CORPO HUMANO NO MUNDO ATUAL


Com o avanço da economia capitalista, ainda no século XX, chegamos a uma sociedade de “hiper-consumo”, como a denomina Gilles Lipovetsky, a partir da consolidação do Fordismo[1] e a consequente submersão do indivíduo humano na massa ou uniformidade humana, em busca de uma felicidade proveniente do consumo, da busca do luxo, divulgado pelo marketing comercial. Segundo Lipovetsky (2007, p.36): “A sociedade de consumo criou em grande escala a vontade crônica dos bens mercantis, o vírus da compra, a paixão pelo novo, um modo de vida centrado nos valores materialistas”.
Tal busca de felicidade centra-se no prazer de viver a existência ladeada por apetrechos mais que necessários para a manutenção da vida humana, aparatos que sejam luxuosos, donde vem à tona a tendência hedonista de busca do prazer pelo prazer mediante a atenuação da dor e incremento no cultivo do lúdico da vida, bem como do gozo oriundo da utilização das coisas e até das pessoas.
A tendência fordista da produção automobilística norte-americana de uniformização das unidades de uma determinada série de produção conforme o paradigma de um modelo é identificado com a tendência de “turvamento” do indivíduo, na generalidade de um grupo, o que constitui a massificação sob a égide da marca. Conforme Lipovetsky (2007, p.29): “Padronizados, empacotados em pequenas embalagens, distribuídos nos mercados nacionais, desde então os produtos vão ter um nome, o que lhes foi atribuído pelo fabricante: a marca”.
Da imersão no anonimato da massa, os indivíduos humanos procuram aparecer e adquirir o reconhecimento dos demais indivíduos, mediante a ascensão social, sobretudo pela via da aquisição de bens que lhe garantam uma vida luxuosa, conforme os padrões incentivados pela economia capitalista, dado que esta divulga uma vida luxuosa como meta de status social, derivando disto o incentivo ao consumismo, como busca de realização.
Na esteira da tendência consumista, as coisas e até as pessoas são desejadas conforme suas utilidades, para que proporcione o alcance dessa felicidade objetivada pelas pessoas no referido contexto econômico e cultural. Aqui vigora uma ética vinculada ao prazer oriundo da utilização de coisas e até de pessoas como meios para se atingir o fim prazeroso ou incentivado pelo marketing comercial, conforme os princípios do utilitarismo. Como afirmou Karol Wojtyła (1982, p.35):

Quando aceito os postulados do utilitarismo, devo considerar-me sujeito, o qual quer experimentar no plano afetivo-emocional o maior número de sensações e vivências positivas e ao mesmo tempo como objeto, o qual pode ser usado para provocar essas sensações e vivências. Inevitavelmente, considero do mesmo modo qualquer outra pessoa que se torna assim um meio apto para fazer-me obter o máximo de prazer.

Neste ponto, deparamo-nos com o problema social da competição entre pessoas humanas e, sobretudo, da redução do sujeito humano ao nível das coisas ou objetos, que são utilizados como meios para atingir determinada finalidade almejada pelo sujeito que usa ou pelo grupo que empreende a utilização. Neste sentido a dignidade de cada pessoa humana submetida ao uso não é valorizada, já que a subjetividade pessoal é reduzida à objetividade existencial.
Para o contexto em questão, a felicidade desejada é fluída, consoante à mobilidade do mundo existente, onde o caráter de modernidade “passou a significar, como significa hoje em dia, ser incapaz de parar e ainda menos capaz de ficar parado” (BAUMAN, 2001, p.37); logo é essa uma felicidade passageira que deve continuamente ser buscada e conquistada, caindo-se num círculo vicioso que mantêm este contexto de pós-modernidade.
Com a superestima existencial das coisas materiais em detrimento do aspecto ontológico, reforçado pelo capitalismo selvagem, o ser humano é reduzido à sua aparência somática. Prima-se pela proporção das formas, consoante padrões de beleza estabelecidos para os corpos masculino e feminino, pelo mercado que também instaura os modelos de trajes conforme a afirmação da moda. “Eis o significado imanente da re-descoberta do corpo: nos gestos e, portanto, toda a sedução imiscuída neles se transformou em mercadoria, a soldo apesar de nós mesmos” (CODO; SENNE, 1985, p.10).
Dado que o ser humano é reduzido, conforme a tendência utilitarista, a meio ou objeto que se instrumentaliza por outrem a fim de que se enlace determinado ideal, inclusive o prazer, absolutizando a dimensão materialista, este mesmo ser humano é conceituado conforme siga ou não o padrão corporal estabelecido modalmente.
É adequando seu corpo aos padrões modais em vigor que a pessoa humana mais se entrega à “lógica” de ser instrumentalizada até chegar à venda corporal, a fim de proporcionar o prazer alheio, sobretudo no campo afetivo-sexual, conforme queremos sublinhar em nossa pesquisa.


3.1 A relação corpo-alma na Antropologia Filosófica


O corpo humano é naturalmente inerente à constituição do ser humano de modo que não podemos pensar atualmente uma Antropologia filosófica sem reconhecer a devida importância à somaticidade humana, que põe a presença atuante da alma e do espírito humanos no mundo e de forma pessoal, com os outros, pois “[...] o mundo é sempre o mundo compartilhado com os outros. O mundo da presença é mundo compartilhado” (HEIDEGGER, 2009, p.175). Evidenciar a não valorização do corpo humano é remontar à História da Filosofia, sobretudo às visões antropológicas mais estritamente ligadas à negação do corpo em Platão de Atenas (c.428/27–c.348/47 a. C), na Grécia clássica, e de René Descartes (1596-1650), na modernidade, que fundamentam a cisão entre alma e corpo e mais, dessacralizando o corpo, pois “[...] o dualismo afirma que o homem se ‘compõe’ de duas substâncias heterogêneas completas. Importante é o adjetivo ‘completas’, isto é, que bastam a si mesmas para existir e somente por acaso, acidentalmente, estão unidas no homem” (RABUSKE, 2001, p.31). Resultando tais inferências do pensamento na negação prática da dignidade do corpo da pessoa humana, na atualidade, quando aparece o corpo humano como objeto de uso com a finalidade no prazer e no aparecer, em tempos denominados por Bauman e Lipovetsky, respectivamente de “pós-modernidade” de uma sociedade de “hiper-consumo”.
Fundando nossa reflexão nas contribuições da Antropologia filosófica, deparamo-nos com a importância devolvida ao ser humano com o seu corpo, que por si é pessoalmente humano. De fato, é com o seu corpo que a pessoa humana se situa espacio-temporalmente no mundo, entre as coisas e relacionando-se com os demais seres humanos; “[...] a autocompreensão do homem encontra seu núcleo germinal na compreensão de sua condição corporal” (VAZ, 2004, p.158). Assim, o corpo põe a pessoa de forma dinâmica no mundo, onde essa se diferencia dos reinos, mineral, vegetal, animais irracionais, protista, monera, dos fungos, e demais organismos estudados pela ciência biológica; a partir da percepção de seu corpo existente no mundo, que o ser humano percebe sua singularidade e perante os outros humanos, tem suporte para pensar a si mesmo a partir da experiência que se dá imprescindivelmente por sua dimensão somática: “[...] o corpo é a condição da possibilidade de manifestação humana. A pessoa expressa e manifesta a sua intimidade precisamente através do corpo” (STORK; ECHEVARRIA, 2005, p. 88).
 É refletindo a si mesmo no mundo com os outros que o homem elabora sua cultura e nesta, para sobreviver, trabalha na natureza, adaptando-a ao seu mundo cultural, bem como se adaptando a ela para sobreviver. É no corpo que a linguagem humana gestual nasce ligada à satisfação das necessidades básicas da vida humana, tais como: preservação da vida, perpetuação da espécie, amor, sentimentos e reflexão, desembocando na sistematização oral, conceituação e estabelecimento de normas; ademais, “[...] a manifestação da pessoa é o mostrar-se ou expressar-se a si mesma as ‘novidades’ que nascem dela. A manifestação da intimidade se realiza através do corpo, da linguagem e da ação” (STORK; ECHEVARRIA, 2005, p. 87).
Ao contrário dos animais irracionais, que já nascem preparados para a sua sobrevivência em seu habitat, inclusive com as habilidades sensitivas e motoras já determinadas e acabadas, propiciando os seus modos de vida, o ser humano nasce aberto à necessidade de adaptação e altamente necessitado de seus pais e demais adultos a fim de sobreviver no mundo, como escreveu Edvino Rabuske (2001, p.25):

[...] o homem tem o seu meio ambiente que, porém, não é estruturalmente fixado nem limitado por especialização biológica. Deve-se aqui falar de mundo. O comportamento humano se caracteriza biológicamente por ser plástico, não-especializado: é diferenciável, flexível, adaptável.

Neste sentido, a plasticidade do ser humano ao nascer, expressa no corpo do recém-nascido a própria natureza humana aberta à reflexão e acerca do sentido da existência, bem como à cultura e ao amor.
Para compreender o problema da desvalorização somática da pessoa, é preciso tomar conhecimento das causas desse fenômeno, investigando na História do pensamento ocidental, porque é o pensamento que move a cultura e esta legitima os costumes sociais. Assim, o modo de pensar atual no ocidente, através do Pragmatismo ou Utilitarismo e do Hedonismo, dá azo à desvalorização do corpo humano, tendência esta que é difundida em todo o mundo pela globalização capitalista.
Nesta senda do pensamento, estão dois eminentes filósofos que contribuíram para o rebaixamento do sentido do corpo: Platão e René Descartes. Para Platão, pensador do século IV a. C, existem três realidades, a saber: a realidade do Uno-Bem, a realidade das ideias perfeitas e a realidade sensível ou material. A matéria é imperfeição e sombra da realidade ideal, que é regida pelo Uno-Bem. Assim, a realidade material e temporal se constitui como cópia das ideias eternas.  Neste itinerário intelectual, o corpo humano é a prisão da alma que anela por ascender ao mundo ideal, a fim de contemplar racionalmente o Uno-Bem. Para Platão, a Filosofia é caminhada para a morte, compreendida como remédio da alma no ato do abandono da prisão corporal. Ele afirma: [...] os verdadeiros filósofos trabalham durante toda a sua vida na preparação de sua morte e para estar mortos, sendo assim, seria ridículo que, depois de ter perseguido este único fim, sem descanso, retrocedessem e tremessem diante da morte (PLATÃO, 1981, p. 109).
Desse modo, o corpo é concebido como julgo e peso, castigo do homem e empecilho à felicidade do ser humano, que no pensamento platônico é essencialmente alma (psique). Tal negação platônica do corpo influenciará fortemente o pensador Plotino (205-270), pertencente à corrente neoplatônica, que nas suas Enéadas, de modo próximo à visão platônica, concebe o mundo nos estágios hierárquicos: Uno, Intelecto, Alma do mundo e matéria. Plotino, por seu turno, influenciou o pensamento medieval.
A modernidade se caracterizou pelo paradigma da subjetividade posto por René Descartes. Descartes principia sua filosofia colocando em dúvida tudo o que lhe fora transmitido pela cultura clássica. Duvida da própria existência, bem como da de Deus, do mundo e dos outros. Com isto, chega à conclusão fundante de seu pensamento: “Cogito, ergo sum”, que significa: “Se penso, logo existo”, certamente inspirado na formula de Santo Agostinho[2]: “Se duvido, existo”. Escreve Descartes (1999, p.63): “[...] ao perceber que nada há no eu penso, logo existo, que me dê a certeza de que digo a verdade, salvo que vejo muito claramente que, para pensar, é preciso existir, concluí que poderia tomar por regra geral que as coisas que concebemos muito clara e distintamente são todas verdadeiras”.
Com o “Cogito” cartesiano, põe-se no pensamento subjetivo o fundamento da própria existência, bem como do mundo concreto, dos outros e de Deus. Assim, a alma racional é altamente valorada na modernidade em detrimento do corpo, que é dessacralizado desde que dele se ausente a subjetividade, como no caso da morte, servindo inclusive para experimentos e estudos da ciência, o que fora inconcebível no período medieval.


3.2 Os tempos hodiernos e a instrumentalização do corpo humano


Tocando nos tempos hodiernos do mundo capitalista, destaca-se o corpo separado de sua dignidade pessoal[3]. Este contexto atual é estudado de maneira crítica pelos pensadores Zigmunt Bauman e Gilles Lipovetsky. Bauman, pensador polonês, apresenta a “liquidez”, ou “fluidez”, como características basilares da vigente ordem social; aqui a moralidade é instantaneamente mutável, adaptando-se aos interesses das estruturas do capitalismo neoliberal. Nessa “modernidade líquida”, os laços entre as pessoas humanas são frouxos, desde que não se deseje assumir compromissos com pessoas e instituições que prendam a mobilidade dos seres humanos num mundo descartável e reciclável; predomina nessa cultura, as “[...] quebra e descarte de sucessivos obstáculos ‘sólidos’ que limitam o voo livre da fantasia e reduzem o ‘princípio do prazer’ ao tamanho ditado pelo ‘princípio da realidade” (BAUMAN, 2001, p. 89); isto põe os seres humanos numa interminável busca por prazer e por felicidades imediatas e passageiras. Nesta trilha, o pensador francês Gilles Lipovetsky, no seu livro A felicidade paradoxal, enfatiza a configuração de uma economia de hiperconsumo, vinculada à vivência de passageiros momentos de prazer, porém que não chegam à estável felicidade humana. Para Lipovetsky (2007, p.36), a“[...] sociedade de consumo criou em grande escala a vontade crônica dos bens mercantis, o vírus da compra, a paixão pelo novo, um modo de vida centrado nos valores materialistas”.
Neste paradigma, o amor comprometido passa a ser evitado como dispendioso e valora-se, entretanto, o prazer de consumir e participar da moda, o que expressa uma profunda busca de autoafirmação e inclusão social; as relações sexuais são cada vez mais desvinculadas da instituição matrimonial, tornando-se uma espécie de brincadeira, na qual duas pessoas, ou mais, que se sentem sexualmente atraídas pela formosura corporal da outra, consentem em reciprocamente se utilizarem como meio para se alcançar o máximo de prazer sexual, consoante a voga utilitarista: “[...] o utilitarismo coloca o acento na utilidade da ação. Ora, tudo o que dá prazer e exclui o sofrimento é útil, porque o prazer é o fator essencial da felicidade humana” (WOJTYŁA, 1982, p. 34).Esta moda vale para o corpo visto como objeto de uso para se obter um prazer egoísta e descomprometido com o bem do outro, como moda incentivada pela cultura publicitária do mercado.
Então, o corpo humano - nessa cultura de “hiper-consumo” – não está devidamente iluminado pela transcendência da dignidade humana, o que se torna porta de destruição para o homem, para o seu sentido existencial e para o amor autêntico. Wojtyła reflete sobre isto.
Devido a esta conceituação do ser humano reduzido ao corpo, ao objeto, ao aparente, nota-se que a união sexual entre homem e mulher vem sendo empobrecida.

O amor, portanto, pela essência mesma de tal ponto de vista, é uma aparência, que se deve cuidadosamente cultivar, para que não apareça o que realmente se esconde dentro dela: o egoísmo, e o egoísmo dos mais vorazes, que explora a outra pessoa para si, para o próprio “máximo prazer” (WOJTYŁA, 1982, p.37).

Neste rumo, as tradicionais fases do amor entre homem e mulher, chamadas namoro, noivado e matrimônio, são atualmente ignoradas quanto ao seu significado e minimizadas às convenções sociais. Assim, as relações heterossexuais são niveladas ao prazer, à esfera sensual. Isto leva ao descarte do outro apenas a pretérita lembrança do gozo que não mais existe.
Com este esquema, a união matrimonial, se não for pautada no conhecimento, aceitação e cuidado para com a manutenção da reciprocidade no amor esponsal, este logo se enfraquecerá diante das dificuldades existenciais. Portanto, os fenômenos negativos que são contrários aos princípios da ética cristã, tais como: as uniões conjugais sem o matrimônio, o divórcio, a violência na família, o adultério, o incesto, a pederastia, o aborto e a eutanásia são comportamentos negativos que ocorrem com maior frequência quando na sociedade se degenera o sentido do amor e doação recíprocos no matrimônio e na família; é isto o que caracteriza a crise matrimonial na contemporaneidade.
Buscando soluções para os sobreditos problemas, sobretudo em relação ao corpo e ao amor humano no matrimônio, têm-se a abordagem filosófica de Karol Josef Wojtyła, clérigo católico engajado na corrente do Personalismo cristão, elaborando colocações no setor da ética e da antropologia.




[1] Teoria da organização industrial do norte-americano Henry Ford (1863-1947), aplicada na sua própria indústria automobilística. Defende a dedicação exclusiva de cada indústria a produção de um único produto, com especialização do trabalhador em determinadas áreas do processo de fabricação, e a fabricação massificada e em larga escala do mesmo modelo produzido.
[2] Santo Aurélio Agostinho de Hipona (354-430), nasceu em Tagaste, África. Após adesão ao maniqueísmo e ao ceticismo, converteu-se ao cristianismo, chegando a ser bispo de Hipona. Legou-nos uma rica produção filosófica e teológica. Autor das obras: “Confissões”, “A cidade de Deus”, “O livre-arbítrio”, “Solilóquios”, entre outras.
[3] Tratando do problema da degradação do corpo e cristianismo, o papa Bento XVI (Joseph Ratizinger) escreveu na sua encíclica “Deus caritas est “(2005), nº.5 : “Hoje não é raro ouvir censurar o cristianismo do passado por ter sido adversário da corporeidade; a realidade é que sempre houve tendências neste sentido. Mas o modo de exaltar o corpo, a que assistimos hoje, é enganador. O eros degradado a puro « sexo » torna-se mercadoria, torna-se simplesmente uma « coisa » que se pode comprar e vender; antes, o próprio homem torna-se mercadoria. Na realidade, para o homem, isto não constitui propriamente uma grande afirmação do seu corpo. Pelo contrário, agora considera o corpo e a sexualidade como a parte meramente material de si mesmo a usar e explorar com proveito. Uma parte, aliás, que ele não vê como um âmbito da sua liberdade, mas antes como algo que, a seu modo, procura tornar simultaneamente agradável e inócuo. Na verdade, encontramo-nos diante duma degradação do corpo humano, que deixa de estar integrado no conjunto da liberdade da nossa existência, deixa de ser expressão viva da totalidade do nosso ser, acabando como que relegado para o campo puramente biológico. A aparente exaltação do corpo pode bem depressa converter-se em ódio à corporeidade. Ao contrário, a fé cristã sempre considerou o homem como um ser uni-dual, em que espírito e matéria se compenetram mutuamente, experimentando ambos precisamente desta forma uma nova nobreza. Sim, o eros quer-nos elevar « em êxtase » para o Divino, conduzir-nos para além de nós próprios, mas por isso mesmo requer um caminho de ascese, renúncias, purificações e saneamentos”.

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