domingo, 10 de junho de 2012

UMA SOLUÇÃO COMUM


Constatamos em nosso tempo um crescente individualismo no comportamento das pessoas, em detrimento da constituição de comunidades. Atrela-se à tendência individualista de afirmação do sujeito, prejudicando o valor da alteridade, o consumismo utilitarista, a busca de luxo e prazer, tidos como portadores da felicidade, de acordo com a ideologia mercadológica, divulgada na mentalidade popular pelos meios de comunicação de massa, como já se posicionaram os pensadores contemporâneos: Bauman e Lipovetsky.
Com essa situação, as tentativas de efetivação de comunidades integradas e bem sucedidas são raras; igualmente, sem maior sucesso,  apresentam-se as tentativas de união popular para combater as anomalias sociais, inclusive os fenômenos de corrupção em instituições e agrupamentos que deveriam atuar se conformando com o bem que almejam suas finalidades. Existe, por outro lado, o fenômeno do corporativismo, de grupos que reivindicam e protegem o bem estar de seus membros, em avaria do bem geral para a sociedade.
Adorno e Horkheimer criticaram o paradigma da subjetividade – erigido no pensamento moderno – como culpado das desgraças sofridas pela humanidade após a inauguração do modelo subjetivo de verdade. Concordamos com essa crítica, ao encontrarmos as bases do individualismo e da degeneração das comunidades no vigente paradigma da verdade subjetiva, no qual cada indivíduo escolhe dizer o que seja verdadeiro “conforme sua miopia” (Drummond); opina-se o verossímil. Desse modo, configura-se um relativismo que gera espaço para cada sujeito construir, como desejar, a sua verdade. Este acontecimento gnosiológico é que põe a massificação das pessoas e a inaptidão delas para a reflexão crítica, entregando os rumos da história às mãos de indivíduos manipuladores que agem com má-fé, impondo uma política inautêntica e não encontrando eficientes resistências.
A solução para o resgate da autenticidade social, aberta à constituição de genuínas comunidades e à ética da alteridade, consiste em retomar o modelo escolástico da verdade objetiva – adequação do intelecto às coisas – rechaçando o contrário; quanto à verdade subjetiva, não deve ser esta negada, no entanto, colocada em seu justo lugar de inspiradora da criatividade humana na técnica e na arte. Certamente, apenas a visão objetiva da realidade leva a pessoa humana à maturidade, de modo que a dispõe para a autenticidade.

REFERÊNCIAS
ADORNO, Theodor W.; HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985.
ANDRADE, C. Drummond. A verdade. Disponível em: <http://www.aindamelhor.com/poesia/poesias04-carlos-drummond.php >. Acesso em 08 mar. 2012.
BARTH, Wilmar Luiz. O homem pós-moderno, religião e ética. Teocomunicação, Porto Alegre, v.37, n.155, p. 89-108, mar. 2007.
HEIDEGGER. Sobre a essência da verdade. In: Heidegger-Sartre. São Paulo: Victor Civita Ed., 1973, p. 325-343. (Col. Os Pensadores).


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