sábado, 12 de maio de 2012

CHAMA VIVA DE AMOR - São João da Cruz





    Ó chama de amor viva, 
    que ternamente feres 
    dessa minha alma o mais profundo centro! 
    Se já não és esquiva, 
    acaba já, se queres, 
    ah! Rompe a tela desse doce encontro!



    Ó cautério suave!, 
    ó regalada chaga!, 
    ó mão tão leve, ó toque delicado!, 
    que a vida eterna sabe, 
    a dívida selada! 
    Matando, a morte em vida transformada.



    Ó lâmpadas de fogo, 
    em cujos resplendores 
    as profundas cavernas do sentido, 
    que estava escuro e cego, 
    com estranhos primores 
    calor e luz dão juntos ao seu Querido!



    Quão manso e amoroso 
    despertas em meu seio, 
    lá onde tu secretamente moras, 
    nesse aspirar gostoso 
    de bem e glória cheio, 
    quão delicadamente me enamoras!

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