sábado, 5 de maio de 2012

FUNDAMENTOS DA POLÍTICA

O termo política remonta à Grécia clássica, mais precisamente à cidade-estado, chamada polis de Atenas. Derivando disso, o termo política passou ser usado para definir o exercício da democracia- sobremaneira- para definir a administração dos cidadãos atenienses para com a sua polis, em vista do bem comum dos cidadãos que a formavam. Neste sentido, fundamentais contribuições para o campo político nos foi deixada por Platão, filósofo discípulo de Sócrates, que atuou na Grécia antiga, bem como por Nicola Maquiavel, filósofo do Renascimento cultural, na Itália.
No diálogo A República, sobretudo a partir do clássico mito da caverna, o autor evidencia a origem da sã política, enquanto servidora do bem comum, em detrimento dos próprios interesses. No campo político brasileiro, está em voga exatamente o contrário, evidenciado na corrupção política.
Interpretando o mito da caverna na perspectiva política, deparamo-nos com o político ideal enquanto amante do saber, ou seja, para Platão, o político deve ser filósofo, dado que o mesmo deve ter a habilidade crítica de enxergar além do que o povo está habituado na banalidade do cotidiano. O político é aquele que deve estar livre dos jugos ideológicos, sendo capaz de contemplar as ideias eternas, a fim de libertar os demais cidadãos que geralmente não conseguem ver além das aparências das coisas e fatos corriqueiros.
No entanto, como destacou Maquiavel, em O Príncipe, os políticos podem estar interessados não tanto no bem comum, porém somente em conquistar o poder, formar séquitos e tropas e cuidar para que ninguém lhes arrebate o domínio; donde seguem as máximas: o povo tem memória curta, dividir para governar e, os fins justificam os meios. Aqui, podemos reconhecer uma avaliação filosófica do fenômeno corrupção que assola nossa política.
Nos anos de Campanhas eleitorais, mas não apenas, vale à pena formar a nossa consciência política efetuando as utilíssimas leituras de Platão e Maquiavel, obras essas que encontramos a preços acessíveis; afinal de contas, cidadão esclarecido é cidadão crítico que não se deixa enganar por certos mentirosos e avaros engravatados que, inclusive, utilizam-se do nome de Deus para zombar da ingenuidade política do nosso povo. Leiamos a Sagrada Escritura, sim, pois é salutar, porém não descuidemos da nossa formação crítico-política para não compactuarmos com o pecado social.

REFERÊNCIA:
CARVALHO, Olavo de. O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota. Rio de Janeiro: Record, 2013.
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 13.Ed. São Paulo: Ática, 2006.

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