terça-feira, 3 de abril de 2012

QUE É VERDADE?



Seguindo o itinerário da História da Filosofia, sobretudo manifestada enquanto Teoria do conhecimento, deparamo-nos com o problema da verdade filosófica. Tema este enfatizado na conferência “Sobre a essência da verdade”, proferida pelo pensador alemão Martin Heidegger, em 1943. Nos períodos da Antiguidade Greco-romana e da Idade Média, a verdade dá-se como concordância da mente humana às coisas conhecidas no mundo concreto; na Modernidade, a concordância se inverte para que exista um conhecimento verdadeiro, sendo que os objetos conhecidos, nessa concepção, é que devem concordar com o sujeito cognoscente e, na Contemporaneidade, evidencia-se a noção de verdade enquanto “desvelamento”.
Conforme Heidegger (1973, p. 329): “Um pensamento radical voltado para o real deve aspirar, primeiramente e sem rodeios, a instaurar a verdade real que hoje nos oferece medida e segurança contra a confusão da opinião e do cálculo”.
No período Antiguidade – Idade Média, quando a concepção de verdade, ou veritas (latim) dá-se entendida como concordância do sujeito que conhece ao objeto conhecido, prima-se pelo princípio metafísico que põe as coisas no mundo e, é esse mesmo princípio, a verdade absoluta, exemplos são: o “uno-bem” de Platão e “Deus” na filosofia cristã.
Seguindo-se a Modernidade, com o “cogito ergo sum” (Penso, logo existo), de René Descartes, o esquema de concordância se inverte; pois, dado que no paradigma cartesiano, ao contrário da Idade Média, a partir da dúvida metódica chega-se, respectivamente, às afirmações de si, do mundo, e de Deus; então, são os objetos conhecidos que devem concordar com o sujeito que conhece, para que haja conhecimento verdadeiro.
Na contemporaneidade, por sua vez, com a filosofia sobre o ser e sobre a linguagem de Martin Heidegger, o conceito de verdade é posto como “desvelamento”, desde que: “Verdade significa o velar iluminador enquanto traço essencial do ser” (1973, p.343). Heidegger resgata o conceito de verdade da cultura grega: “Aletheia”, que significa “não esquecimento”, o que o pensador diz, é “o que se desvela”. Assim, verdadeiro é o que vem à luz, o que se mostra na linguagem. Porém não é um mostrar-se por completo do ser evidenciado, dado que, ao mesmo tempo que se desvela, também se vela.
Quando Heidegger afirma que: “A essência da verdade é a verdade da essência” (1973, p. 343), interpretamos como se ele dissesse, com tal jogo de palavras, que o fundamento do desvelamento do ser dá base ao movimento desvelador que constitui a fundação do ser; nesta compreensão, resgata-se a compreensão de ser móvel oriundo de Heráclito de Éfeso, no princípio da história da Filosofia.
Portanto, no pensamento heideggeriano, verdade é o que aparece na linguagem do ser-com-os-outros-no-mundo, em seu devir ou finitude. É esta verdade que, na poesia e no pensamento erige o mundo humano, na historicidade e na cultura.

 REFERÊNCIAS:
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 13.Ed. São Paulo: Ática, 2006.
HEIDEGGER, Martin. Sobre a essência da verdade. In: Heidegger-Sartre. São Paulo: Victor Civita Ed., 1973. (Col. Os pensadores).